Sinais do mercado de stablecoins indicam mais do que uma simples turbulência habitual do Bitcoin. Quando a camada base do sistema financeiro cripto começa a mostrar sintomas de uma doença grave—neste caso, uma retirada de liquidez sem precedentes—a história ensina que devemos prestar atenção com cuidado. O mercado está entrando numa fase diferente, não apenas um desafio de volatilidade momentânea.
Stablecoin Perde Momentum: Sinal de Início de Grandes Retiradas de Capital
Quando o crescimento das stablecoins desacelera ou até contrai, geralmente significa uma coisa: grandes investidores estão a liquidar posições. Dados da plataforma de análise DefiLama, no final de fevereiro de 2026, mostram que a capitalização total de mercado das stablecoins está em torno de 307 mil milhões de dólares, com sinais de preocupação a surgir de todos os lados.
Esta situação difere do esperado quando o Bitcoin tenta estabilizar após uma forte queda no início do mês passado. Normalmente, uma maior apetência pelo risco atrairia mais capital para o ecossistema, ampliando o “pipeline” de stablecoins e aumentando a liquidez do mercado. Mas, desta vez, o oposto está a acontecer. Os grandes players parecem estar a retirar-se, não a entrar mais fundo.
A contração mais visível ocorre nos dois principais controladores do setor: USDT Tether e USDC Circle. No último mês, o USDT caiu cerca de 1,7%, enquanto o USDC diminuiu 0,9%. Estes números podem parecer pequenos para investidores tradicionais, mas no mundo cripto, que se move rapidamente, representam sinais de uma ameaça séria. Dados recentes de 27 de fevereiro de 2026 indicam que o USDC tem agora uma capitalização de mercado de 75,28 mil milhões de dólares, continuando a mostrar pressão de baixa.
Tether Enfrenta Maior Saída de Liquidez Desde a Crise FTX
A maior surpresa vem do Tether, principal ativo de negociação na maioria das exchanges centralizadas e descentralizadas. A saída de liquidez do USDT atingiu níveis nunca antes vistos desde o desastre da FTX em 2022—um sinal de ansiedade profunda no mercado.
Dados da Artemis Analytics mostram com mais clareza: a oferta circulante de USDT reduziu-se em cerca de 1,5 mil milhões de dólares só em fevereiro, após uma redução de 1,2 mil milhões em janeiro. Estes números não podem ser ignorados. Quando a base de liquidez do cripto começa a enfraquecer, o efeito dominó é inevitável—capacidade de alavancagem diminui, liquidez do mercado escasseia, a volatilidade aumenta, e mais investidores entram em pânico e liquidam posições.
A posição do Tether no mundo também reforça a relevância destes dados. Segundo um relatório da Jefferies, em meados de fevereiro, o Tether estaria a deter cerca de 148 toneladas de ouro físico, avaliado em aproximadamente 23 mil milhões de dólares, colocando-o entre os maiores detentores de ouro do mundo—mais do que alguns países. O CEO Paolo Ardoino já tinha exposto a visão do Tether de tokenizar ativos do mundo real, mas atualmente, a confiança dos investidores nos ativos de reserva do Tether está a ser testada.
Contraste Interessante: USD1 Cresce Rápido Enquanto Outros Caem
Enquanto USDT e USDC perdem capital, surge um sinal de divergência no mercado na forma do USD1—stablecoin ligado à World Liberty Financial, entidade relacionada com Donald Trump.
O USD1 cresceu rapidamente e atingiu um momentum de crescimento significativo. Mas dados recentes de 27 de fevereiro de 2026 mostram que a capitalização de mercado do USD1 está agora em 2,15 mil milhões de dólares, com uma variação de -0,13% em 30 dias. Este padrão revela algo interessante: enquanto as stablecoins tradicionais enfrentam pressão, alternativas novas e controversas começam a atrair atenção de alguns investidores.
O crescimento do USD1, que chegou a saltar 50% num mês, agora moderou, indicando que o hype inicial começa a diminuir. Mas uma questão mais importante surge: será que isto é uma rotação de capital do mainstream para alternativas, ou algo mais sinistro está a acontecer?
Pressão Regulamentar Forma Nova Narrativa
Quando o USD1 começou a captar atenção, Washington começou a agir. Uma carta de membros democratas do Congresso ao Secretário do Tesouro, Scott Bessent, expressa preocupações sérias sobre a tentativa da World Liberty Financial de obter uma licença bancária de confiança nacional. Não se trata apenas de uma questão regulatória comum—é uma questão de interesses nacionais e riscos sistêmicos potenciais.
O problema começou a emergir após relatos de que um membro da alta hierarquia da família real dos Emirados Árabes Unidos teria adquirido quase metade de uma empresa com um investimento de 500 milhões de dólares. Ainda mais interessante, 187 milhões de dólares desse fluxo de capital teriam ido diretamente para entidades relacionadas com Trump, levantando alarmes no legislativo. Os legisladores questionam se isso não abre brechas de segurança nacional.
A preocupação aumentou quando a senadora Elizabeth Warren advertiu formalmente o Secretário Bessent e o presidente do Fed, Jerome Powell, sobre o que ela chamou de “resgate financiado por dinheiro dos contribuintes”. Em uma carta de meados de fevereiro, Warren deixou claro que intervenções governamentais para estabilizar o Bitcoin ou grandes empresas cripto poderiam acabar por beneficiar Trump e sua família, dado o envolvimento financeiro deles na World Liberty Financial.
Convergência Perigosa: Liquidez, Política e Risco Sistêmico
O que estamos a testemunhar é a convergência de três forças sem precedentes: uma crise de liquidez orgânica no mercado de stablecoins, o crescimento de entidades cripto relacionadas a figuras políticas, e uma atenção regulatória intensa. Sinais de que o mercado está doente começam a juntar-se num só lugar.
Quando a liquidez escasseia, a volatilidade aumenta, e quando a volatilidade sobe, os investidores procuram algo “estável” ou com potencial de retorno superior. Este é o cenário perfeito para que entidades novas, controversas e com apoio político forte cresçam—mesmo que isso traga riscos adicionais ao sistema mais amplo.
O próprio Bitcoin, a 27 de fevereiro de 2026, negocia-se por cerca de 65,63 mil dólares, refletindo uma incerteza mais profunda sobre o rumo do mercado cripto como um todo. A questão urgente agora é: o mercado consegue absorver este desequilíbrio, ou os sinais de uma crise sistêmica maior continuarão a acumular-se, levando a danos mais severos?
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Sinal de Mais de uma Crise de Liquidez: Por que os "Gigantes de Ouro" do Mercado Cripto estão a Encolher-se
Sinais do mercado de stablecoins indicam mais do que uma simples turbulência habitual do Bitcoin. Quando a camada base do sistema financeiro cripto começa a mostrar sintomas de uma doença grave—neste caso, uma retirada de liquidez sem precedentes—a história ensina que devemos prestar atenção com cuidado. O mercado está entrando numa fase diferente, não apenas um desafio de volatilidade momentânea.
Stablecoin Perde Momentum: Sinal de Início de Grandes Retiradas de Capital
Quando o crescimento das stablecoins desacelera ou até contrai, geralmente significa uma coisa: grandes investidores estão a liquidar posições. Dados da plataforma de análise DefiLama, no final de fevereiro de 2026, mostram que a capitalização total de mercado das stablecoins está em torno de 307 mil milhões de dólares, com sinais de preocupação a surgir de todos os lados.
Esta situação difere do esperado quando o Bitcoin tenta estabilizar após uma forte queda no início do mês passado. Normalmente, uma maior apetência pelo risco atrairia mais capital para o ecossistema, ampliando o “pipeline” de stablecoins e aumentando a liquidez do mercado. Mas, desta vez, o oposto está a acontecer. Os grandes players parecem estar a retirar-se, não a entrar mais fundo.
A contração mais visível ocorre nos dois principais controladores do setor: USDT Tether e USDC Circle. No último mês, o USDT caiu cerca de 1,7%, enquanto o USDC diminuiu 0,9%. Estes números podem parecer pequenos para investidores tradicionais, mas no mundo cripto, que se move rapidamente, representam sinais de uma ameaça séria. Dados recentes de 27 de fevereiro de 2026 indicam que o USDC tem agora uma capitalização de mercado de 75,28 mil milhões de dólares, continuando a mostrar pressão de baixa.
Tether Enfrenta Maior Saída de Liquidez Desde a Crise FTX
A maior surpresa vem do Tether, principal ativo de negociação na maioria das exchanges centralizadas e descentralizadas. A saída de liquidez do USDT atingiu níveis nunca antes vistos desde o desastre da FTX em 2022—um sinal de ansiedade profunda no mercado.
Dados da Artemis Analytics mostram com mais clareza: a oferta circulante de USDT reduziu-se em cerca de 1,5 mil milhões de dólares só em fevereiro, após uma redução de 1,2 mil milhões em janeiro. Estes números não podem ser ignorados. Quando a base de liquidez do cripto começa a enfraquecer, o efeito dominó é inevitável—capacidade de alavancagem diminui, liquidez do mercado escasseia, a volatilidade aumenta, e mais investidores entram em pânico e liquidam posições.
A posição do Tether no mundo também reforça a relevância destes dados. Segundo um relatório da Jefferies, em meados de fevereiro, o Tether estaria a deter cerca de 148 toneladas de ouro físico, avaliado em aproximadamente 23 mil milhões de dólares, colocando-o entre os maiores detentores de ouro do mundo—mais do que alguns países. O CEO Paolo Ardoino já tinha exposto a visão do Tether de tokenizar ativos do mundo real, mas atualmente, a confiança dos investidores nos ativos de reserva do Tether está a ser testada.
Contraste Interessante: USD1 Cresce Rápido Enquanto Outros Caem
Enquanto USDT e USDC perdem capital, surge um sinal de divergência no mercado na forma do USD1—stablecoin ligado à World Liberty Financial, entidade relacionada com Donald Trump.
O USD1 cresceu rapidamente e atingiu um momentum de crescimento significativo. Mas dados recentes de 27 de fevereiro de 2026 mostram que a capitalização de mercado do USD1 está agora em 2,15 mil milhões de dólares, com uma variação de -0,13% em 30 dias. Este padrão revela algo interessante: enquanto as stablecoins tradicionais enfrentam pressão, alternativas novas e controversas começam a atrair atenção de alguns investidores.
O crescimento do USD1, que chegou a saltar 50% num mês, agora moderou, indicando que o hype inicial começa a diminuir. Mas uma questão mais importante surge: será que isto é uma rotação de capital do mainstream para alternativas, ou algo mais sinistro está a acontecer?
Pressão Regulamentar Forma Nova Narrativa
Quando o USD1 começou a captar atenção, Washington começou a agir. Uma carta de membros democratas do Congresso ao Secretário do Tesouro, Scott Bessent, expressa preocupações sérias sobre a tentativa da World Liberty Financial de obter uma licença bancária de confiança nacional. Não se trata apenas de uma questão regulatória comum—é uma questão de interesses nacionais e riscos sistêmicos potenciais.
O problema começou a emergir após relatos de que um membro da alta hierarquia da família real dos Emirados Árabes Unidos teria adquirido quase metade de uma empresa com um investimento de 500 milhões de dólares. Ainda mais interessante, 187 milhões de dólares desse fluxo de capital teriam ido diretamente para entidades relacionadas com Trump, levantando alarmes no legislativo. Os legisladores questionam se isso não abre brechas de segurança nacional.
A preocupação aumentou quando a senadora Elizabeth Warren advertiu formalmente o Secretário Bessent e o presidente do Fed, Jerome Powell, sobre o que ela chamou de “resgate financiado por dinheiro dos contribuintes”. Em uma carta de meados de fevereiro, Warren deixou claro que intervenções governamentais para estabilizar o Bitcoin ou grandes empresas cripto poderiam acabar por beneficiar Trump e sua família, dado o envolvimento financeiro deles na World Liberty Financial.
Convergência Perigosa: Liquidez, Política e Risco Sistêmico
O que estamos a testemunhar é a convergência de três forças sem precedentes: uma crise de liquidez orgânica no mercado de stablecoins, o crescimento de entidades cripto relacionadas a figuras políticas, e uma atenção regulatória intensa. Sinais de que o mercado está doente começam a juntar-se num só lugar.
Quando a liquidez escasseia, a volatilidade aumenta, e quando a volatilidade sobe, os investidores procuram algo “estável” ou com potencial de retorno superior. Este é o cenário perfeito para que entidades novas, controversas e com apoio político forte cresçam—mesmo que isso traga riscos adicionais ao sistema mais amplo.
O próprio Bitcoin, a 27 de fevereiro de 2026, negocia-se por cerca de 65,63 mil dólares, refletindo uma incerteza mais profunda sobre o rumo do mercado cripto como um todo. A questão urgente agora é: o mercado consegue absorver este desequilíbrio, ou os sinais de uma crise sistêmica maior continuarão a acumular-se, levando a danos mais severos?