Aumento global da produção de açúcar pressiona os preços devido à crescente pressão de exportação

Os mercados de açúcar enfrentam ventos contrários renovados, à medida que várias previsões de produção apontam para um excesso global. Os contratos futuros de açúcar #11 do mundo de Nova York de março caíram 0,15 pontos (queda de 1,01%), enquanto o açúcar branco ICE de Londres de março caiu 3,70 pontos (queda de 0,90%), com os preços em Londres atingindo mínimos de 2,5 meses. A venda em massa reflete uma mudança estrutural na dinâmica de oferta global, onde o crescimento da produção nos principais países produtores reduz os preços e ameaça prolongar a fraqueza até 2026.

Múltiplos Produtores Aumentam a Produção em 2025-26

O setor de açúcar do Brasil está a caminho de uma produção recorde. A Unica informou que a produção acumulada de açúcar do Centro-Sul do Brasil em 2025-26 até dezembro aumentou 0,9% em relação ao ano anterior, atingindo 40,222 milhões de toneladas métricas (MMT). Mais significativamente, as usinas brasileiras estão ajustando suas proporções de moagem para a produção de açúcar, com a cana moída para açúcar subindo para 50,82% em 2025-26, contra 48,16% em 2024-25 — uma decisão que prioriza o volume em detrimento do etanol.

A colheita de açúcar da Índia superou as expectativas, aumentando a pressão sobre o mercado global. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) informou que a produção de açúcar da Índia em 2025-26, de 1 de outubro a 15 de janeiro, aumentou 22% em relação ao ano anterior, atingindo 15,9 MMT. Ainda mais impressionante, a ISMA elevou sua estimativa de produção para toda a temporada de 2025-26 para 31 MMT em novembro, contra uma previsão anterior de 30 MMT — representando um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior. Essa abundância de produção posiciona a Índia para aumentar as exportações de açúcar, enquanto a ISMA reduziu sua estimativa de uso de etanol para 3,4 MMT, contra uma previsão de julho de 5 MMT.

A Tailândia, terceira maior produtora e segunda maior exportadora do mundo, também está aumentando a produção. A Thai Sugar Millers Corp projetou que a safra de açúcar da Tailândia em 2025-26 aumentará 5% em relação ao ano anterior, atingindo 10,5 MMT, sinalizando uma disponibilidade contínua para exportação do Sudeste Asiático.

Impulso de Exportação da Índia Pesa na Perspectiva de Preços

Decisões políticas em Nova Deli estão remodelando os fluxos de oferta globais. O ministério de alimentos da Índia anunciou que permitirá às usinas exportar 1,5 MMT de açúcar na temporada de 2025-26, uma reversão do sistema de quotas introduzido em 2022-23 após déficits de produção. Essa abertura de exportação ocorre enquanto a Índia busca reduzir um excesso de oferta doméstico, o que reduz diretamente os preços ao canalizar a produção excedente para os mercados mundiais.

O efeito em cadeia é substancial: a trader de açúcar Czarnikow aumentou sua estimativa de excedente global de açúcar para 2025-26 para 8,7 MMT em novembro, contra uma estimativa de setembro de 7,5 MMT. Vários previsores agora projetam um excesso significativo. A Covrig Analytics elevou sua previsão de excedente global de açúcar para 2025-26 para 4,7 MMT em dezembro, contra 4,1 MMT em outubro. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) previu um excedente de 1,625 milhão de MT em 2025-26, impulsionado pelo aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão — uma reversão acentuada do déficit de 2,916 milhões de MT em 2024-25.

Previsão de Excesso Global Aponta para Continuação da Pressão nos Preços

O USDA forneceu a previsão mais abrangente em seu relatório bienal de 16 de dezembro, projetando que a produção global de açúcar em 2025-26 aumentará 4,6% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 189,318 MMT. Diante desse aumento de oferta, o consumo global de açúcar deve crescer modestamente 1,4% em relação ao ano anterior, atingindo 177,921 MMT. Os números são preocupantes para os preços: as reservas finais globais de açúcar estão previstas para cair apenas 2,9% em relação ao ano anterior, para 41,188 MMT — quase acompanhando o crescimento da produção.

As divisões regionais do USDA reforçam o excesso de oferta. A produção do Brasil em 2025-26 deve aumentar 2,3% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 44,7 MMT. A produção da Índia deve crescer 25% em relação ao ano anterior, chegando a 35,25 MMT, impulsionada por chuvas favoráveis e expansão da área de cultivo de cana. A Tailândia deve acrescentar 2% em relação ao ano anterior, atingindo 10,25 MMT.

Há uma luz no fim do túnel para os preços embutida nos dados. A consultoria Safras & Mercado projetou que a produção de açúcar do Brasil em 2026-27 diminuirá 3,91%, para 41,8 MMT, contra 43,5 MMT esperadas para 2025-26, devido aos preços fracos que desestimulam o plantio. Da mesma forma, a Covrig Analytics espera que o excedente global de açúcar em 2026-27 encolha drasticamente para 1,4 MMT. No entanto, esse alívio estrutural ainda está distante; por ora, a perspectiva de curto prazo permanece pressionada pelos ganhos de produção do ano atual que prejudicam o mercado até 2025-26.

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