Notei algo muito importante acontecendo nos bastidores da indústria de inteligência artificial agora, e acho que a maioria das pessoas está perdendo a imagem maior.



Há oito anos, a história da ZTE foi uma lição dura sobre dependência tecnológica. Uma proibição americana, e uma empresa com 80 mil funcionários parou completamente. Mas o que está acontecendo agora no campo da inteligência artificial é completamente diferente, e a imagem é muito mais complexa.

O verdadeiro problema nem sempre foram os chips. Quando começaram as restrições à NVIDIA A100 e H100, todos pensaram que era o estrangulamento. Mas o estrangulamento real era algo chamado CUDA. Essa plataforma de software da NVIDIA se tornou a base de tudo no IA global. Mais de 90% dos desenvolvedores de IA no mundo trabalham dentro desse ecossistema. É uma roda sustentável — quanto mais pessoas a usam, mais ela vale.

Mas aqui vem a parte interessante. Em vez de tentar competir diretamente com a NVIDIA, as empresas chinesas escolheram um caminho completamente diferente.

Primeiro, os algoritmos. As empresas chinesas migraram para modelos de especialistas mistos — em vez de executar tudo, fazem apenas as partes relevantes. DeepSeek V3 é um exemplo perfeito: 671 bilhões de parâmetros, mas usa apenas 37 bilhões durante a inferência. O resultado? Custos de treinamento 14 vezes menores que o GPT-4, e preços de API 25 a 75 vezes mais baratos que seus concorrentes.

Em segundo lugar, os chips locais. O que realmente chama atenção é que os chips chineses locais agora superaram a fase de inferência simples. Em janeiro de 2026, o primeiro modelo de imagem avançado totalmente treinado em chips chineses locais foi lançado. Em fevereiro, um modelo gigante foi treinado em uma infraestrutura de computação chinesa completa. Essa é uma mudança de paradigma — de apenas rodar modelos para realmente construir novos modelos.

Quanto aos preços das novas chips de água e infraestrutura, a situação é extremamente preocupante para os Estados Unidos. A eletricidade é o limite fundamental do poder computacional. A China produz 2,5 vezes mais eletricidade que os EUA, e seus custos industriais são 4 a 5 vezes menores. Ao mesmo tempo, os EUA enfrentam uma crise real de eletricidade — Virgínia, Geórgia, suspenderam aprovações para novos data centers.

Qual é o resultado? A IA chinesa está saindo para o mundo silenciosamente. Não como um produto tradicional, mas como tokens (tokens) — as unidades básicas de processamento. São produzidos em fábricas de computação chinesas e transmitidos online para todos os lugares. DeepSeek agora atende 30% da China, 13,6% da Índia, 6,9% da Indonésia. Nos países sob sanções, sua participação de mercado fica entre 40-60%.

Há uma estranha semelhança aqui com a história da indústria de semicondutores japonesa na década de 1980. O Japão era o melhor em um sistema global dominado por outros, mas não construiu um ecossistema independente. Quando a onda passou, não sobraram nada. Desta vez, a China escolhe um caminho diferente — construir um sistema ecológico verdadeiramente independente do zero.

Relatórios de lucros recentes das empresas locais contam a história real. Metade é fogo, metade é água — receitas enormes, mas grandes perdas. Mas isso não é uma falha de gestão. É um imposto de guerra para construir uma independência verdadeira.

A questão agora não é mais "Podemos sobreviver?" mas "Quanto devemos pagar para sobreviver de forma independente?" E a resposta é o próprio progresso.
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