Recentes dados sobre fluxos de criptomoedas têm chamado atenção. De acordo com o novo relatório da Chainalysis, em 2025, transferências de criptomoedas relacionadas a redes de tráfico de pessoas e exploração atingiram centenas de milhões de dólares — um aumento de 85% ao ano. Os números são expressivos, mas o verdadeiro problema não é o valor monetário, e sim a dor vivida pelas vítimas.



O que está por trás desse aumento? Operações de fraude de origem do Sudeste Asiático, redes de cassinos online e, especialmente, o ecossistema de crimes organizados conduzidos via Telegram. Diferentemente de sistemas baseados em dinheiro, a transparência do blockchain oferece aos pesquisadores a oportunidade de rastrear essas redes. É nesse ponto que o trabalho de empresas de análise como a Chainalysis se torna crucial.

O que é interessante é que diferentes tipos de crimes apresentam preferências distintas pelo uso de criptomoedas. Serviços internacionais de acompanhantes e redes de prostituição confiam quase totalmente em stablecoins para rápida transformação e estabilidade de preços. Segundo as descobertas da Chainalysis, cerca de 49% dessas operações movimentam mais de 10 mil dólares, indicando operações em escala de estruturas organizadas. Por outro lado, operações de material de abuso sexual infantil (CSAM) usam um modelo diferente — geralmente transações abaixo de 100 dólares e sistemas de assinatura. Monero e serviços de troca instantânea estão se tornando cada vez mais comuns entre essas redes.

Outro ponto destacado no relatório da Chainalysis é como essas redes criminosas utilizam infraestrutura baseada nos EUA para legitimar e escalar suas operações. Os operadores geralmente permanecem no exterior para reduzir riscos. Segundo dados da Chainalysis, apenas em julho de 2025, um grande site de CSAM foi detectado usando mais de 5800 endereços de criptomoedas, gerando mais de 530 mil dólares desde 2022.

Em resumo, a transparência do blockchain facilita a identificação dessas redes, mas as estratégias de adaptação dos criminosos continuam evoluindo. À medida que surgem ferramentas de privacidade e redes Layer 1 alternativas, o acompanhamento por empresas como a Chainalysis se torna ainda mais difícil. Trata-se de uma espécie de jogo de gato e rato tecnológico.
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