Uma equipe de pesquisa de Cambridge divulgou uma descoberta interessante. Após analisar dados da rede Bitcoin de 11 anos e 68 casos de falhas em cabos submarinos, eles concluíram que as interrupções em cabos submarinos não afetam o Bitcoin tanto quanto pensamos.



Em março de 2024, quando sete cabos foram cortados devido a uma perturbação submarina na costa da Costa do Marfim, o impacto na internet regional saltou para mais de 11.000. Mas e o Bitcoin? Apenas cerca de 5 nós foram afetados, representando apenas 0,03% da rede total, e não houve variação de preço nem interrupção de consenso. Isso é emblemático.

Segundo o estudo, 68 dos 385 relatórios de falhas em cabos coincidiam com interrupções verificáveis, mas 87% delas envolveram variações de menos de 5% nos nós. A influência média foi de -1,5%, e a mediana de -0,4%. A correlação entre interrupções de nós e o preço do Bitcoin é praticamente zero (r = -0,02). Ou seja, falhas de cabos que fazem as manchetes não têm grande impacto em redes descentralizadas.

Porém, onde está a verdadeira vulnerabilidade? Os pesquisadores modelaram o Bitcoin como uma rede em camadas: a camada física de cabos submarinos, a infraestrutura de roteamento e a camada de sobreposição peer-to-peer do Bitcoin. Se cabos forem cortados aleatoriamente, para atingir o limiar de mais de 10% de nós bloqueados, entre 72% e 92% dos cabos internacionais precisariam falhar. Quase uma destruição total.

Mas e se o ataque for estratégico? Focar em cabos de alta centralidade pode reduzir esse percentual para 20%. Uma estratégia ainda mais eficaz é atacar os Sistemas Autônomos (ASNs) principais. Remover apenas 5% da capacidade de roteamento pode atingir o limiar.

O que merece atenção é o cenário apontado pelos pesquisadores: não se trata apenas de falhas de cabos, mas de interrupções nos serviços de provedores ou ações regulatórias coordenadas. Entre os provedores identificados estão Hetzner, OVHcloud, Comcast, Amazon Web Services e Google Cloud. Em março de 2026, dos 23.150 nós acessíveis, Hetzner hospeda 869, Comcast e OVH, 348 cada, Amazon, 336, e Google, 313.

Porém, isso não significa que “cinco fornecedores possam destruir o Bitcoin”. Mesmo removendo toda a rede pública, a maior parte dos nós continua operando graças ao Tor. Ainda
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