A Superabundância Global de Açúcar Pressiona o Mercado, Enviando os Preços para Mínimos de Múltiplos Anos

Os mercados de commodities estão a emitir sinais de aviso para o açúcar, à medida que uma onda de crescimento da produção em nações produtoras principais ameaça inundar os mercados globais com excesso de oferta. O contrato de futuros de açúcar de março de Nova Iorque caiu -2,93% nas negociações recentes, enquanto o açúcar branco do ICE de Londres diminuiu -1,72%, com os preços agora nos níveis mais baixos em 2,5 meses e 5 anos, respetivamente. O principal fator que impulsiona esta queda é simples: o mundo está prestes a produzir significativamente mais açúcar do que consegue consumir, criando condições de baixa que se intensificaram ao longo deste trimestre.

Os previsores estão cada vez mais sincronizados nos seus avisos sobre o aumento do excesso de oferta. As projeções recentes pintam um quadro preocupante para os traders que apostam em preços mais altos. A Green Pool Commodity Specialists antecipa um excedente global de açúcar de 2,74 milhões de toneladas métricas (MMT) para a temporada 2025/26, com mais 156.000 MT de excedente esperado no ano seguinte. Entretanto, a análise da StoneX sugere um mercado ainda mais apertado, prevendo um excedente de 2,9 MMT para 2025/26. Para não ficar atrás, a Czarnikow—uma grande trader de commodities—aumentou a sua estimativa para 8,7 MMT, sugerindo que algumas instituições veem o desequilíbrio como mais severo do que outras. Estas projeções divergentes destacam a incerteza que domina o mercado, mas todas apontam na mesma direção: pressão descendente sobre os preços.

O Boom do Açúcar na Índia e as Ambições de Exportação

A Índia encontra-se no centro desta vaga de produção. As fábricas de açúcar do país aumentaram drasticamente a sua produção, com a Associação das Fábricas de Açúcar da Índia (ISMA) a reportar um aumento de +22% ano após ano até meados de janeiro de 2026, atingindo 15,9 MMT. A ISMA elevou ainda a sua estimativa para toda a temporada para 31 MMT—um aumento de +18,8% em relação ao ano anterior. O que torna isto particularmente relevante para a dinâmica global do açúcar é a mudança na postura política de Nova Deli. Após anos de restrições às exportações através de quotas implementadas durante crises de abastecimento anteriores, o governo sinalizou disposição para permitir exportações adicionais, tendo o ministério da alimentação aprovado 1,5 MMT de remessas de açúcar para a temporada 2025/26. Esta reversão de política, destinada a aliviar o acúmulo de inventário interno, deve injetar volumes substanciais nos mercados globais.

Para reforçar o cenário favorável à produção indiana, a ISMA reduziu a sua previsão de açúcar destinado à produção de etanol de 5 MMT para 3,4 MMT, sugerindo que mais açúcar será canalizado para exportação em vez de conversão em combustível. A Índia é o segundo maior produtor mundial, tornando estas decisões políticas e mudanças na produção fatores críticos que influenciam a dinâmica dos preços internacionais.

Brasil e Tailândia Estendem Recordes de Produção

O Brasil, líder mundial na produção de açúcar, também está a aumentar as pressões de oferta. A Conab, o órgão oficial de previsão de colheitas do Brasil, elevou a sua estimativa de produção para 2025/26 para 45 MMT em novembro, acima da previsão anterior de 44,5 MMT. Ainda mais dramaticamente, a proporção de cana-de-açúcar moída para produção de açúcar—em oposição à produção de etanol—subiu para 50,82% no ciclo atual, face a 48,16% de um ano antes, de acordo com o relatório de dezembro da Unica. Esta mudança para a produção de açúcar em detrimento do combustível indica que os produtores estão a responder a incentivos de preço mais fortes no mercado de açúcar em relação ao etanol.

A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, está igualmente a aumentar a produção. A Thai Sugar Millers Corp projeta um aumento de +5% na produção ano após ano para 10,5 MMT na temporada 2025/26, mantendo uma atividade de exportação robusta que aumentará a pressão competitiva nos mercados internacionais.

O USDA Apresenta uma Perspectiva de Produção Recorde Contra Crescimento Modesto da Demanda

A avaliação do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) de 16 de dezembro fornece talvez a previsão mais abrangente sobre os balanços de açúcar. O USDA projeta que a produção global de açúcar aumentará +4,6% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 189,318 MMT para 2025/26, enquanto o consumo humano deve subir apenas +1,4% para 177,921 MMT. Esta diferença significativa entre produção e demanda evidencia o desequilíbrio estrutural que os mercados enfrentam. O USDA também prevê que os stocks finais globais diminuir-se-ão -2,9%, para 41,188 MMT—uma redução modesta que não consegue absorver o aumento de produção previsto.

O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA detalhou as perspectivas de produção regional: a produção do Brasil deve atingir um recorde de 44,7 MMT (+2,3% y/y), a produção da Índia está prevista em 35,25 MMT (+25% y/y, impulsionada por condições favoráveis de monção), e a produção da Tailândia deve atingir 10,25 MMT (+2% y/y). Juntas, estas três nações representam quase metade da produção global, tornando as suas decisões de produção essenciais para as trajetórias de preços.

Perspectivas Futuras: Alguns Sinais Positivos em Meio a Obstáculos

Nem todos os sinais são uniformemente baixistas. A Safras & Mercado, uma consultora brasileira, projeta que a produção de açúcar no Brasil contrair-se-á -3,91% para 41,8 MMT em 2026/27, face às 43,5 MMT esperadas na temporada atual. A mesma firma espera que as exportações brasileiras de açúcar caiam -11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT. Esta retração na produção, impulsionada em parte por preços mais fracos que desincentivam novas plantações, sugere que a alívio poderá eventualmente chegar se a pressão descendente atual persistir.

A Covrig Analytics inicialmente previu um excedente global mais severo de 4,7 MMT para 2025/26, mas estimou que o excedente de 2026/27 se moderará para apenas 1,4 MMT, à medida que preços baixos desencorajem novos investimentos na produção. Por sua vez, a Organização Internacional do Açúcar adotou uma postura mais conservadora em novembro, prevendo um excedente de apenas 1,625 MMT para 2025/26, após o défice de 2,916 MMT do ano anterior, sugerindo que algumas instituições antecipam condições mais apertadas do que as estimativas de consenso indicam.

Estas projeções divergentes evidenciam a complexidade dos mercados globais de açúcar, onde múltiplos centros de produção, políticas de exportação em evolução e modelos de previsão concorrentes criam um cenário intricado. Por ora, a maior parte das evidências disponíveis aponta para um período prolongado de excesso de oferta que continuará a testar os preços até que ajustes de equilíbrio de mercado realinhem a oferta às expectativas de demanda.

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